Úlcera Gastroduodenal

Úlcera Gastroduodenal

 Que é úlcera gastroduodenal? Como aparece? Quais os sintomas?

 

É uma ferida que surge no interior do estômago ou do duodeno, provocada por alterações no suco gástrico (que fica mais ácido) e na mucosa do órgão. O excesso de acidez corrói a mucosa e provoca a úlcera, cujos sintomas principais são: a dor (pode ocorrer toda vez que há fome, melhorando com a ingestão de­ alimento, ou surgir logo após a ingestão de alimento), a azia e o descon­forto digestivo logo após a refeição. Há casos em que a dor só alivia com ingestão de comida. A dor pode ser forte e incômoda a ponto de acordar o paciente no meio da noite. Quando há sangramento, as fezes se mostram escuras (como “borra” de café). O perigo da úlcera é vazar para dentro do peritônio, quadro grave que exige imediata intervenção cirúrgica. Vestígios de sangue nas fezes são sinal de agudização, e, embora não indiquem perfuração, requerem ida imediata ao médico para avaliação.

 

Quais as causas?

 

As causas da úlcera são várias: heredi­tariedade, má alimentação, estres­se, ansiedade, uso e abuso de medicamentos, fumo, álcool etc. Muitos pensam que seu estômago age como um triturador de lixo. Comem qualquer coisa, a qualquer hora, sem a mínima preocupação com o que acontece silen­ciosamente dentro do organismo. Quando vêm a azia e a má digestão, tomam anti­ácidos ou “remédios digestivos”, muitas vezes denominados “naturais”. A causa do problema, a gula, não é atacada. Continuará agindo e minando a energia vital, até surgirem doenças mais graves.

Pesquisas sobre alergia alimentar mostram que muitos doentes reagem à proteína do leite como a um forte alér­geno. Segundo o Dr. Breneman, em seu famoso livro Basic of Food Alergy (Spring­field), “No negro, toda úlcera duodenal é causada pelo leite, até prova em contrário.” Diversamente do que se divulgava décadas atrás, quando o leite era a base da dietoterapia da úlcera, o consumo exagerado de laticínios­ é hoje considerado como agravante.

Certos medicamentos podem conduzir à úlcera. Entre eles, determinados sedativos e antidepressivos.

A úlcera digestiva é, na verdade, um tributo que o homem moderno paga ao seu ritmo de vida. Trata-se hoje de mal preocupantemente comum. O tratamento médico mais radical é a cirurgia para gastrectomia e, às vezes, vago­to­mia. Os medicamentos alopáticos agem local e sintomaticamente, exercendo relativo controle sobre a acidez do estômago, mas não removem a causa, que reside num excesso de radicais ácidos no metabolismo, e na instabi­­­li­dade emocional. Porém, está demonstrado que se pode tratar satisfato­­­riamente a úlcera com dieta bem orientada, articulada a outros métodos naturistas.

Antiácidos contendo compostos de alumínio podem provocar grandes perdas de cálcio, resultando em dores e diminuição da massa óssea.

 

Alimentos e hábitos que fazem mal

 

O chocolate é, para muitas pessoas, um dos piores inimigos da digestão. Evitar alimentos ácidos e acidi­ficantes e combinações impróprias: açúcar, guloseimas, frituras, carnes, pimenta, vinagre, molhos, queijos, café, guaraná e bebidas gasosas.

Na fase aguda, convém evitar também frutas ácidas, como laranja, abacaxi, limão e caju. Cremes, maioneses, molhos e temperos podem favorecer a manifestação da azia; evitá-los. Recomenda-se dieta saudável. Alimentos gordurosos e açucarados precisam ser evitados. Esses alimentos estimulam a pro­dução de ácido e, como se não­ bas­tasse, relaxam o esfíncter esofágico, facilitando o refluxo do conteúdo gástrico.

Comer com moderação. Abster-se de lanches ligeiros (fast-food). Não abusar do sal. O leite pode dar sensação de bem-estar logo ao ser ingerido, mas sua proteína, sua gordura e seu cálcio acabam aumentando a secreção de ácido.

Alimentos ou bebidas muito quentes, como chimarrão, ou frios, como sor­­­­vetes, são contra-indicados. Em síntese, alimentos que favoreçam a produção de ácido e as fermentações tendem a diminuir a resistência orgânica, pois sobrecarregam o metabolismo (o caso da maioria dos alimentos modernos, produzidos só por motivos comerciais). Precisam ser evitados. Misturas impróprias podem ocasionar fermentação e acidez.

 

Bebida antiácida

 

Muito usada em clínicas naturistas européias, essa bebida, à base de sementes e tubérculos, traz resultados muito animadores no caso de úlcera e hiperacidez digestiva. Há inúmeras experiências de pacientes de gastrite, úlcera e azia que conseguiram curar-se com o uso perseverante dessa bebida, somado aos demais cuidados dietéticos. Graças às mucilagens e aos princípios inibidores da secreção ácida (como a solanina, da batata), age eficazmente como tampo­nante dos ácidos.

Como preparar: Deixar de molho, à noite, duas colheres, das de sopa, de linhaça, e três colheres, das de sopa, de farelo de trigo, em 700ml de água. De manhã, cozinhar durante meia hora, para que se transforme numa mucila­gem espessa. Coar e misturar com o decocto de batata, conforme explicamos em seguida.

Decocto de batata: cortar em fatias 250g de batata crua (mais ou menos duas batatas médias), com a casca (lavada e escovada). Pôr para cozinhar em fogo brando, em 700ml de água, durante meia hora. Então, passar a batata, juntamente com a água, numa peneira fina, e misturar com a muci­la­gem anterior.

Como usar: Mexer bem e tomar em lugar do desjejum, ensalivando bem, mais ou menos a metade de todo o conteúdo. Guardar em refrigerador o que sobrar. A outra metade poderá ser tomada meia hora antes do almoço, ou na parte da tarde. O plano de alimentação deve seguir as instruções aqui já ministradas.

Casos mais severos poderão exigir o seguinte programa: Tomar, de duas em duas horas, aos goles, ensalivando bem, 200ml dessa mistura. Nesse caso, preparar o dobro da quantidade que aqui especificamos.

Sumo da batatinha — um dos melhores remédios contra a úlcera gastroduodenal:

O Prof. Mageri, da Universidade de Heidelberg, descobriu que o sumo da batatinha é excelente remédio contra azia e úlceras gastroduodenais. Assim que trouxe a público sua descoberta, despertou-se incomum interesse no meio científico. Desde então, realizaram-se várias experiências, sobretudo numa clínica alemã da especialidade. Essas pesquisas comprovaram claramente o valor medicinal da batata. Depois de uma cura de quatro semanas, durante as quais o doente toma três vezes ao dia o sumo fresco (preparado na centrífuga ou espremendo-se a polpa ralada), a melhora é animadora.

Esse resultado deve-se ao fato de o sumo da batata conter um alcalóide, a solanina, que “trava” a secreção ácida do estômago — em muitos casos, a secreção é a principal causa da úlcera.

Em dois anos de aplicação do novo remédio, totalmente natural, verificou-se que as úlceras do estômago curavam-se rapidamente. Pelo tratamento do Prof. Mageri, é mesmo possível retardar ou evitar a formação de câncer gástrico. Podem-se usar uns 150ml do sumo, três vezes ao dia, uma hora antes das refeições. Tomar lentamente, ensali­vando bem. Adotar dieta saudável, como já explicado.

 

Outras sugestões naturais

 

Compressas abdominais de argila diárias. Ou compressas com toalha molhada em água fria, sobre o estômago (cobrir com uma toalha seca). Deixar aquecer e trocar várias vezes. Estas aplicações ajudam a desinflamar a mucosa gástrica. Também é indicado tomar água argilosa várias vezes ao dia. Modo de preparar: Adquirir argila fina, própria para uso interno, em lojas de produtos naturais. Misturar quatro colheres, das de sopa, de argila com 500ml água. Mexer bem e deixar assentar o sedimento durante a noite. De manhã, filtrar com peneira fina ou pano limpo. Aproveitar só a parte líquida. Tomar durante o dia de duas a três xícaras pequenas.

 

Parecia uma fornalha no interior do estômago. No começo, os antiácidos resolviam. Mas logo Antônio começou a acordar no meio da noite, gritando de dor na região do estômago. Para aliviar, aprendeu a tomar um copo de leite. Mas os sintomas pioravam gradativamente. A digestão tornou-se um tormento. A azia e as dores incomodavam cada vez mais. Certo dia, Antônio flagrou-se extremamente abatido, pálido e indisposto. As fezes estavam pretas como “borra” de café. Foi quando resolveu parar e correr ao médico, que, ao considerar o caso, decidiu por internação imediata. Antônio era portador de úlcera duodenal aguda. Precisou submeter-se imediatamente a uma cirurgia.

 

Alimentação

O principal segredo da alimentação curativa da úlcera é tão simples que muitos passam por alto: comer menos e mastigar muito bem os alimentos. Adotando esse procedimento, muitos doentes têm conseguido não só a cura da úlcera, mas de outros problemas que havia tempo os incomodava.

Mastigar completamente, ou converter cada bocado em líquido, ao misturá-lo com saliva, antes de deglutir. Para tanto, não se devem juntar sólidos com líquidos. No desjejum e no jantar, por exemplo, podem-se usar frutas como mamão, pêra ou maçã, que devem ser comidas primeiro, e depois algumas torradas.

A recomendação tradicional de tomar muito leite, mingaus e papas, longe de solucionar o problema, tende a cronificá-lo, embora por pouco tempo traga algum alívio. No almoço, recomenda-se arroz integral muito bem cozido com abóbora, vagem, cenoura e outros legumes. Para variar, pode-se usar batata bem cozida com salada de broto de feijão e cenoura crua, e alguns legumes, como vagem, beterraba e chuchu. Nunca use batata velha, verde ou brotada. Não usar tomate nem berinjela.

Todo o cuidado é pouco com temperos e molhos. Recomenda-se evitá-los. Não comer grande quantidade, nem com pressa, nem antes de deitar. Comer com calma, sentado, saboreando cada bocado. Algumas vezes por semana, pode-se substituir uma refeição (como o desjejum) por maçã e mamão. Poderá ser necessário mastigar dezenas de vezes cada bocado (alguns autores falam em trinta vezes, outros em cinqüenta ou mais; é claro, vai depender da textura do alimento), até que se transforme em líquido na boca. Não comer demais. Sair da mesa com vontade de comer um pouquinho mais (o que não significa, obviamente, sair da mesa faminto).­

Alguns pacientes terão de fazer refeições pequenas a cada três horas (fruta, suco ou torradinha, entre outros alimentos). Mas muitos poderão fazer as refeições principais de cinco em cinco, ou de seis em seis horas, mastigando bem, e essa é a proposta mais bem aceita pelos naturopatas. A idéia de que para “tamponar” ou “neutralizar” o excesso de ácido no estômago é preciso tomar muito leite é repudiada pelo naturismo médico. Deve-se comer a intervalos regulares: pelo menos cinco horas devem mediar as refeições principais. Entre elas, só os chás digestivos ou as bebidas antiácidas (cuja receita damos a seguir), ou, se houver fome, água-de-coco ou fruta. Se você está habituado a comer freqüentemente, acostumado a sentir-se bem com essa dieta, precisará de algum tempo e paciência para mudar de hábito. Fazê-lo aos poucos, com orientação profissional. Talvez no seu caso não seja possível chegar ao padrão ideal de três refeições, mas torna-se necessário um programa de várias refeições pequenas, com boa mastigação. O plano individual deverá ser estabelecido por um especialista.

Outro conselho importante é tomar água ou outros líquidos só meia hora antes, ou duas horas após as refeições. Mesmo os líquidos devem ser tomados devagar.

A última refeição deve ser leve, e feita várias horas antes de dormir. Nunca se deve comer e deitar.

 

Plantas

Segundo os manuais de fitoterapia, a melhor maneira de tomar chá no tratamento da úlcera é às colheradas, ou aos goles. Como proceder? Preparar a quantidade indicada (três ou quatro xícaras, por exemplo), e tomar às colheradas, de dez em dez, ou de quinze em quinze minutos, ao longo do dia. Ou tomar aos goles, ensalivando muito bem. Desse modo, o efeito será extraordinariamente melhor que tomar chá às pressas, em grande quantidade, o que, aliás, poderá fazer mal em vez de bem. As sugestões tradicionais não suprimem a orientação médica.

Várias plantas — Cavalinha, tanchagem, espinheira-santa, cálamo-aromático, camomila, hortelã e damiana. Misturar duas ou três dessas plantas, e variar cada semana. Tomar aos goles duas ou três xícaras de chá ao dia: duas colheres, das de sopa, da mistura para meio litro de água. Ferver e filtrar.­

Angélica, confrei e valeriana — O Dr. Zofchak, famoso herborista americano, recomenda uma mistura de angélica, confrei e valeriana. O confrei não deve ser usado em alta concentração, e não mais do que por uma semana. Usar apenas uma pitadinha de valeriana.

Confrei — Pode-se preparar o decocto com uma colher, das de sopa, da raiz pulverizada de confrei em 250ml de água. Ferver por meia hora. Tomar essa quantidade ao longo do dia, aos goles. Não usar por mais do que uma semana.

Erva-dos-gatos — Nos Estados Unidos usam-se, contra a acidez gástrica, as folhas e os botões da erva-dos-gatos (ou gatária), na forma de infuso, misturada com funcho (Nepeta cataria). É uma das plantas usadas há mais tempo por diferentes culturas contra distúrbios digestivos que produzem hiperacidez. Dose: uma colher, das de sopa, (da parte da planta que fica acima do solo) para duas xícaras de água, em infusão (derramar água fervente sobre a planta). Dividir essa quantidade ao longo do dia em pequenas porções.

Guaçatonga — Última palavra na fitoterapia da úlcera. Pode-se misturar com espinheira-santa e tomar de duas a três xícaras do cozimento ao dia. Uma colher, das de sopa, das plantas para 400ml de água. Ferver e filtrar.

Hortelã com camomila — Outra mistura muito útil no tratamento de males digestivos é a hortelã. Pode-se misturar hortelã e camomila. Preparar o infuso e tomar de duas a três xícaras, com 150ml ao dia. Uma colher, das de sopa, das plantas para 300ml de água. Derramar água fervente sobre as plantas.

Mil-folhas (ou mil-em-rama) — Conta antiga lenda grega que um centauro teria usado essa planta para tratar uma ferida no herói Aquiles, que se restabeleceu completamente. Por isso, seu nome científico é Achillea millefolium (Achillea vem de Aquiles). Hoje sabe-se que possui propriedades cicatrizantes. Contra úlceras digestivas, ferver duas colheres, das de sopa, de flores em meio litro de água por cinco minutos. Coar e beber de uma a duas xícaras de chá por dia, durante uns vinte dias. Após as refeições, tomar um gole desse chá.

 

Outros remédios tradicionais

As seguintes indicações tradicionais podem ajudar:

Alginato — No mercado de produtos naturais há antiácidos à base de ácido algínico, derivado de algas marinhas. Segundo um artigo publicado na revista Lancet (26 de janeiro de 1974), a algina cria uma proteção gelatinosa que flutua sobre a superfície do conteúdo gástrico. Podem-se usar diariamente um ou dois comprimidos de alginato de sódio, seguidos de um pouco de leite misturado com dolomita.

Alface — Tomar duas ou três colheres, das de sopa, de suco de alface antes do almoço.

Beldroega — Preparar três colheres, das de sopa, de suco de beldroega e misturar com chá de tanchagem, de modo que se obtenha meia xícara. Tomar aos goles, morno, meia xícara fracionada em duas ou três vezes ao dia.

Cenoura — Tomar o suco de cenoura aos goles (mais ou menos um copo a cada duas ou três horas), ao longo do dia, na fase aguda. Este é um dos melhores remédios para vômitos e desconforto digestivo agudo.

Couve-flor — Comer couve-flor cozida, sem tempero, em refeições “leves”. A água do cozimento deve ser tomada ao longo do dia, entre as refeições.

Gengibre — Cápsulas da raiz de gengibre, tomadas na dose de uma ou duas após as refeições, vêm exibindo bons resultados em alguns casos. Mas há pacientes que não se sentem bem com o gengibre.

Lima-da-pérsia — Chupar lima-da-pérsia em jejum, ou tomar vagarosamente o suco.

Mamão — Fazer refeições só de mamão, esporadicamente.

Mesocarpo de babaçu — Em jejum, tomar uma colherinha de mesocarpo de babaçu misturado em um pouco de água. Em seguida tomar, aos goles, ensalivando bem, uma xícara de chá de espinheira-santa com cavalinha.

 

 

* Estas sugestões são tradicionais, bem como as dosagens.

 

 

Você sabia?*

É tradicionalmente indicado para combater corrimentos, disenterias, tumores, úlceras.

Modo de usar: deixar ferver em ½ litro de água 2 colheres, das de sopa, da casca moída. Filtrar e tomar de 1 a 2 xícaras ao dia.

Açoita-cavalo (Luhea grandi­flora).


Programa Saúde Total

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